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Sonhar é preciso, nem que for sonho de padaria...

Nem uma coisa nem outra, o que há entre elas é o que me encanta

domingo, 30 de maio de 2010

E o domingo acabou...

Agora já é quase segunda e eu ainda estou perdida no sonho deste domingo ensolarado. Sei que a lua já chegou, o dia já passou, mas sequer tive tempo de ver o tempo passar...
Tirei a venda dos olhos e já era tarde demais pra ver...

sábado, 29 de maio de 2010

Espelho (leitura por Fernando Anitelli)

olhos perdidos

Perdi meus olhos nas asas de um beija-flor,
e agora, passo dias e noites, pousando e sonhando minha alma
em todos os jardins, em todas as flores...
Talvez eu consiga de volta mais que meus olhos perdidos
e ganhe os ares dos jardins floridos, e os aromas de muitos amores....

domingo, 23 de maio de 2010

NADA DE NADA

Nada de novo, 
Nada de velho,
Só o mistério, 
puro, simples, sincero,
De não saber quem sou,
Onde estou, por que vou...

quarta-feira, 19 de maio de 2010

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Bonecas de milho

Estes dias tenho pensando muito em minhas brincadeiras de infância.
Conversando com uns amigos, comecei a falar de minhas bonecas, quando no meio da conversa, me dei conta do quanto meus protótipos de gente eram diferentes  dos da maioria das pessoas que conhecia.
Ainda menininha de cabelos queimados pelo sol, quando sentia vontade de brincar de boneca, corria até a roça de milho e lá, rodeada por "gente de milho" das mais variadas cores, eu podia escolher com quem brincar.

Me dava até ao luxo de brincar com três gerações de bonequinhas, que eram selecionadas pelos cabelos. Eu explico:
A bonequinha com cabelos mais escuros, quase ruivos, queimados pelo sol e ralinhos, era a avó. A de cabelos um pouco mais viçosos, brilhantes, meio alaranjados e fartos, era a mãe. E a bonequinha bem pequenininhas de uns cabelinhos loirinhos, fininhos e brilhozíssimos, era a filhinha.
É claro que o tamanho das bonecas também contava. Assim, a mais encorpada, com a palha mais grosa e verde escura - a avó -, ficava sempre ao lado da mãe, - de corpo grande, mas nada exagerado -, que segurava no colo a filhinha: aquela pequenininha, de cabelinhos loiríssimos.

Era assim que eu brincava de boneca na minha infância.
Lembro também que minhas bonecas, além de lindas, tinham um aroma maravilhoso!!!

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Diamantes no céu

De repente olhei pra cima e dei de cara com zilhares de olhinhos piscando pra mim sob um papel de seda azul escuro. A noite chegou por aqui!

segunda-feira, 3 de maio de 2010

PARES DE SAPATO

E neste confronto de crises entre a pós-modernidade e os conceitos que pairam, ainda, sobre o mundo moderno, Eu, exemplo ímpar do homem antigo, não consigo acumular pares de sapatos.
Não sei tingir adequadamente os meus cabelos: Minha tintura vermelho-mogno se espalhou nas entranhas do solo confuso e rarefeito que fertilizam as exigências do consumo e consumindo-se deixou uma marca estranha em meu olhar, antes lua nega num céu branco, hoje, ora lua invisível do dia, ora dias marejados por trás de um sol que não existe.
Meus cabelos já não são mais da cor original e o castanho antigo, agora tenta esconder-se embaixo deste esboço de vermelho, que está mais pra um acobreado sem personalidade... Agora, nem eu e nem a outra, muito menos os outros. Quem somos de fato neste mar de desperdícios e vícios e rejuvenescimentos infindáveis???

A lembrança que trago tatuada é a do vermelho urucum da infância e dos fundos de meu quintal. Uma penca daquelas conchinhas que ora parecem peludas, ora parecem de espinhos, escondendo em seu útero, milhares de graõzinhos vermelhos, que de tão vermelhos conseguem riscar nossa pele feito mesmo um lápis de cor. Acho que eu devia mesmo era ter pintado meus cabelos com o vermelho-sangue do urucum. Mas, ...

... semana passada comprei um par de sapatos de couro e de saltos... bem...
A experiência foi boa. Os sapatos são justos e confortáveis.
Mas, coitadinhos, estão há mais de dez dias escondidos embaixo da estantezinha do meu quarto.

Que ousadia desta alma descalça e transgressora! Querendo desafiar os poderes do mercado e da gravidade!!! ...

Fazenda Baraúna

Na sala onde eu nasci, tudo é motivo de festa
Não há carros, nem internet, ninguém conhece o mar
A água daqui é salobra e todos dão graça a Deus.
Igreja aqui quase não há, a luz elétrica ainda não chegou

Dormimos todos com as galinhas e acordamos antes do dia
Dia de parto é um rebuliço só e haja garrafa!
Dia de extrema unção todo mundo ri e chora junto
E bebe e come e reza e põe a vela na mão do finado
E o velório acaba em festa e os anjos dizem amém...

Na sala onde eu cresci, ninguém sabe o que é sala
Mas todo mundo espera a noitinha pra contar histórias na varanda
Primeiro o pai, depois a mãe e bem depois os meninos
Lavam os pés sem saber o que se gasta mais,
Se as solas ou os cacos de telhas e sabugos
A varanda acesa, o milho assando, o lava-pés,
A vida em brasa, a noite aqui, chega assim

Na mesma bacia a água é uma só, a dor é só uma
e os sonhos se perdem nas chamas da fogueira,
misturam-se entre os descanso dos pés e a latência cardíaca que não cessa
Sem querer, aqui se vive com pressa.
Não se sabe se de vida ou de ante vida,
Ninguém aqui toca no nome da morte...

Perdida entre as vadiagens e os sorriso falhos,
No meio do agreste, no sopro do vento quente,
Perambula aqui a poesia rude e leve
Os meninos armam arapucas pra pegar o passarinho cor de laranja que
Tem nome de “sofrê”.
No fundo eles têm inveja do bichinho, só por vontade de voar...
Têm uns que até comem o probrezinho, só por vontade de voar...

Latência, dormência...
Embaixo da farinheira, sentada no chão,
A mãe cruza as pernas, raspa a mandioca
e amamenta a criança.
A menina, de uns olhozinhos tão pequenos aprende atenta o ofício de viver
Enquanto a tarde caminha serena e lenta...

Todo mundo sorri igual aqui,
E o aroma da raiz santa cria a ilusão de um forno assando
E ninguém passa fome...