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Sonhar é preciso, nem que for sonho de padaria...

Nem uma coisa nem outra, o que há entre elas é o que me encanta

terça-feira, 2 de março de 2010

ASAS

Eu tinha um par de asas,
vez ou outra, saía céus afora e mundos adentro,
Mas, voava só...
não tinha pra quem contar das maravilhas que via,

Um dia, uma de minhas asas quebrou, e nem voar eu podia mais,
me contentava em caminhar ruas e calçadas adentro.
Tinha só uma asa, mas sempre de olhos para o alto.

Numa dessas ruas, no finzinho de uma manhã qualquer,
vi alguém, também dono de uma asa só.

Olhando os dois para cima, foi inevitável o encontro das retinas.
E nos vimos, sós, de pés no chão e alma no céu.
Entrelaçamos as mãos e daí em diante,
nossas asas solitárias são um par.
O céu que nos aguarde.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Nas asas das borboletas escrevi este Poeminha:

Nesta arena fecunda, degladiam-se as ervas,os insetos,
as flores e os dejetos. As larvas e os aromas, as dores
e seus sintomas... Travam lá, uma luta incessante,
entre o já e o que não foi, entre o que foi e o que é.

criaturas se esbanjam de sol no tapeta da grama
e se espalharem na terra e na lama em uma busca aflita
por algo que ninguém compreende por inteiro,
mas que sentem necessário.

O ir e o vir, o eu e o ti, o duo e a lida, devem ser
o campo onde a vida se faz ou onde se pode fazer algo
como vida...

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Na era pós-moderna, na modernidade tardia, quem é quem? o que é o quê?

Vejo uma crescente desresponsabilização tomando conta do nosso tempo e dos nossos sujeitos. Sujeitos estes que parecem não ocupar outra plataforma, senão a do consumo. E consumindo, consomem-se.

Neste tempo complexo, onde imperam a economia e o mercado, a pessoa fica de lado,a mídia ganha asas e torna-se nossa religião.
A imagem se configura passo a passo e todo corpo é um só.
Toda tela nos revela e a novela que era nossa distração, distrai nossa atenção.

O trânsito ganha vida e é ele mesmo o culpado pelo engarrafamento. A economia é sensível aos abalos do mercado que tem humor, ora está calmo e tem até sentimentos.

Pessoas se coisificando, se androgenando.
Coisas e fenômenos se personalizando...

domingo, 11 de outubro de 2009

ESPERA

Queria dizer que tô te esperando,
mas tá frio aqui na estação,
com esse vento todo e sentada nesse banco de cimento gelado.

Tá certo que vez em quando
você dá uma decidinha do trem,fecha as janelas da estação
e me empresta algum cobertor...
assim quando eu acho que não aguento mais,
decido ficar e esperar por esse trem que te traga um dia
ou pra me buscar ou pra descer de vez na minha estação...

Minhas malas estão prontas e eu,
muitas vezes não sei o que fazer com elas.
Muitas vezes as abro e confiro o conteúdo,
outras tantas dou uma esvaziada.
Ando mais leve assim,

Mas na maioria do tempo, reconheço a companhia que elas me fazem...

EU TE PROCURO

Eu te procuro no trânsito parado, no trem lotado,
E no ponto deste ônibus que nunca vem,
Te procuro ainda, nos passos largos das pessoas apressadas
Nos olhares perdidos pelas calçadas
Te procuro risos tímidos de estranhos e em todo alguém (...)

ERA SIM JÁ PRIMAVERA

Era sim já primavera, a estação mais equilibrada do ano. Também a mais perfumada e a mais musical. Nela é quase tudo flores, cantos e respiros... disse quase, porque hoje em especial, saí na rua e vi um cinza gelado, nuvens e chuviscos a inflamar meus ouvidos e a pressionar meu peito que num suspiro, -mais de resistência que de esperança-, não queria acreditar naquele dia de inverno em plena primavera...
Porque duvidei do frio, tive que enfrentá-lo pele a pele.
Porque esperei demais da primavera, tive uma surpresa ingrata: o sol não deu o ar da graça.
Ainda assim, me embrulhei quase de corpo inteiro no cachecol que levei comigo só por distração e desci avenida abaixo na tentativa de aquecer meu corpo... até que deu certo.
Aos poucos, senti um calorzinho me envolver e o ventinho que entrava pelos vãos de minhas roupas já nem incomodava tanto. Foi assim quase a avenida toda, quando, de tanto apressar os passos, percebi um desconforto em meu pé direito –logo o direito, saco!-.
Esqueci de dizer que eu usava meias neste dia. É, quer dizer, era mais metade de meia. Sabe aquela meia que só cobre o peito e o calcanhar do pé? Pois é, uma “meia-meia”. Então, estava usando esta meia e acho que de tanto andar rápido, a meia do meu pé direito começou a sair, aos poucos, assim, meio que disfarçadamente. Por debaixo do tênis, eu sentia seu movimento, lento, mas efetivo em meu pé. Parecia que a qualquer momento ela iria se embolotar na ponta do tênis e eu seria obrigada a parar ali, já quase na estação do metrô pra tirar o tênis e arruma-la. Ela já tinha ultrapassado os limites da sola e já se dirigia ao meio do pé.
Já estava subindo a rampa quando o desconforto foi ficando maior e ao descer a escada rolante senti que seria ali mesmo. Meu Deus, que sofrimento!
Cheguei à plataforma e arrisquei soltar o nó do cadarço pra tentar arrumar a meia ali mesmo, sem nem ligar pros olhares alheios. Num golpe de mestre, consegui me livrar de todo o material, deixei-o todo no braço esquerdo, levantei a perna, apoiei ali nas ferragens da plataforma e consegui puxar uma ponta do cadarço. Mal puxei, e o metrô já se aproximou. Num desespero bem maior do que anterior, imediatamente amarrei novamente o tênis e entrei no metrô como se nada tivesse acontecido.
Por sorte consegui um lugar pra sentar e aí, o alívio foi tanto por estar aquecida e confortavelmente acomodada, que coloquei todo o material no colo e nem percebi mais que estava de meias.
Por algumas estações estava protegida. Soltei meu corpo no banco, fechei os olhos e resolvi seguir viagem sem pensar nem reclamar.

DELÍRIOS EM FLOR

Pensei em tirar férias de mim
e pousar em ti meus muitos sonhos,
meus tantos delírios ainda em flor.

Quis atravessar o portal
e manifestar em teu quintal meu jardim inteiro,
minha alfazema -inspiração de meu poema-
o aroma sutil de meu quase amor.

Um sentimento todo só existe de duas partes inteiras,
a que mora em minha varanda e a que vive no peito seu,
Adormeço agora então, nesta parte que te espera.
Vezes vida, outras quimera,
eternamente EU