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Sonhar é preciso, nem que for sonho de padaria...

Nem uma coisa nem outra, o que há entre elas é o que me encanta

quinta-feira, 9 de abril de 2009

LUA só LUA

Todas as luzes da casa estão acesas,
e a lua, solitária no céu, também se acendeu.
Não há como ignorá-la, brilhando sozinha
no azul marinho (quase preto) do céu,
Envolta em um gigantesco papel de seda
acostumado a abraçar maçãs,
a pequenina bolinha de ping-pong se aconchega
no colo imenso de ponta-cabeça
e faz questão de que não me esqueça
de nossa natureza de enxergar pouco
Em vez de fruta, um astro.
No lugar de um aroma, uma auréola, quase uma pérola.

No cantinho do meu jardim, a lua nua me aparece assim,
De surpresa, quietinha, impressa no espaço do mundo e no espaço meu

Grifa no céu uns versos misturados e com um branco quase calado
Embala os bons olhos na alma poética dos braços de Orfeu.

domingo, 29 de março de 2009

E naquele dia...

E naquele dia que era dia de festa, entrou na livraria mais impessoal que encontrou, escolheu entre tantos, o romance de sua vida e mandou a balconista embrulhar pra presente.
Um papel dourado encheu-lhe os olhos aflitos e curiosos.
Caminhou até a cafeteria, confortou-se no abraço metálico da cadeira, cruzou as pernas e acompanhada de si, olhou para a xícara quente enquanto elegantemente despia o único presente que ganhara na vida.
Talvez fossem aquelas páginas o único e verdadeiro trato de atenção que experimentara e aquele café o único ser que realmente se importava.............

PEDRA CORA

Houve um tempo em que valia a pena
ajuntar todas as pedras atiradas e traçar
a rota dos degraus até o pico dos sonhos floridos,
até às flores invencíveis da alma...

Nunca houve pedra que se chegasse à nudez de meu peito.
Semeava a dureza de minha escritura no vão de tudo
E todos: pedras, flores, versos se faziam,
enquanto eu me reerguia entre pedras, pedra que sou...

... E não é que este virou música!!!... O Rabicho que compôs - ficou bonita-!

O frio dói

O frio dói, a solidão igual
Dói na pele, dói no osso, dói em tudo
Um gole de café quente dá pra disfarçar a dor da gente
Um cobertor, um sofá, um par de meia também dá

A solidão assusta, o frio também
Assusta o outro, a mim, a você e a ninguém
Uma lareira na sala, uma fogueira no quintal esquentam igual
Uma brasa viva aquece qualquer cantinho
E a companhia perfeita é a brasa eleita pra nosso carinho

Esse Paulo Leminski...

"Nunca cometo o mesmo erro duas vezes já cometo duas três quatro cinco seis até esse erro aprender que só o erro tem vez"

sábado, 28 de março de 2009

Eu apaguei a luz...???

Hoje, dia internacional de apagar a luz, pra mostrar minha boa-vontade em trans-formar este mundo quase "rarefeito" pela bola de neve da industrialização, não pude deixar minha sala, tampouco minha casa sem LUZ.
- É que eu tinha de corrigir os textos de meus alunos e registrar as notas nos diários. Então decidi encapar minhas seis cadernetas cinzas com sacolinhas plásticas, aquelas de nossos super mercados preferidos (com hifen ou sem?)...

...e o Espelho se Espalha...

Diante de todos e quase ninguém, a imagem se configura,
se auto-afirma, se arma em armaduras...
e se desvanece...
E quando sozinha, diante de si e quase alguém,
se desarma e quase se esquece.
Porque só, é todo mundo;
Porque mundo, é toda só...
Porque toda, é quase nada,
Sendo nada, se desenha, se renasce, se É.



Sendo nada, se desenha, se renasce se É.

quando o espelho espelha o que se espalha em nós
o espelho ainda sendo nós
é nosso outro
nosotros
nos outros
será...

Agora com Eva Rocha e Luci Bonini (Que honra!!!)