ponha o vestido no avesso
invista no recomeço
abandone o adereço
leveza não tem preço
mirar pra dentro, só com apreço
movimento, o endereço
no descaminho, reconheço
o desalinho do moinho
meu tropeço
em todo fim
um começo
A vida, via de mão dupla, em seus atalhos e desvios, descaminhos e rodopios, simplesmente vai... jamais em vão!!!
Páginas
Sonhar é preciso, nem que for sonho de padaria...
Nem uma coisa nem outra, o que há entre elas é o que me encanta
domingo, 27 de julho de 2014
acho que
acho que às vezes me perco
em dias assim,
respiro fundo no fundo de mim
e principio paciência
em dias assim,
respiro fundo no fundo de mim
e principio paciência
gosto(S)
Gosto dos conjuntos,
grupos de mundos,
constelações de cores,
variações de versos e sabores,
do que se reverbera
minha alma se "intera"
e no chão ou nos andores
um grão de impossíveis idades
vestido de inteiro e metades
grupos de mundos,
constelações de cores,
variações de versos e sabores,
do que se reverbera
minha alma se "intera"
e no chão ou nos andores
um grão de impossíveis idades
vestido de inteiro e metades
quarta-feira, 7 de maio de 2014
Nota
Nota do dia de hoje que pode ser qualquer dia
Apesar de
tudo, ela ainda se alimentava, sentia fome, gostava dos cheiros, tinha sede de
algo que não sabia direito o que era e de onde viria, mas tinha sede, sentia
fome ainda e por isso buscava. Dormia e acordava todos os dias movida por essa
busca, por essa sede, por essa fome. Hoje, como vários hojes iguais, escolheu
um prato pra depositar seu alimento. Da montanha de louça suja, sabe-se lá de
quantos dias amontoada sobre a pia, a mesa e qualquer lugar onde se pudesse
colocar um copo, um prato, um xícara, uma panela, desse amontoado de louça,
quase toda louça da casa, escolheu um prato de vidro azul. Talvez pela
transparência azulada, talvez pela forma pequena, talvez porque era o primeiro
da pilha e estava na direção da torneira. O armário estava vazio. Nele não mais
pratos.
De olho no macarrão amanhecido,
temperado com um galho de manjericão, sentiu aquela fome de todos os dias. Pegou
o prato azul translúcido, ainda com as marcas da refeição de ontem e sem
cerimônia, deu uma passada por debaixo da água, assim, de raspão, num rompante.
Passou o prato no jato de água, com as duas mãos, como uma peneira dançou o
prato pra lá e pra cá. Foi o maior movimento do dia. Depois, balançou o prato
pro excesso de água escorrer e ali mesmo, num único movimento, encheu a
espumadeira do macarrão e depositou no prato. Esquentou no micro-ondas por
menos de um minuto. Dispensou o queijo ralado. Matou a única fome que pode
matar no dia. Depois, levantou-se do sofá onde fazia regularmente suas
refeições, tomou um copo de água com o prato vazio ainda em uma das mãos.
Dirigiu-se a qualquer espaço ainda vazio de louça suja e ali deixou o prato e o
copo, vazios...
sábado, 3 de maio de 2014
Leve Tudo (Eva Rocha e Manoel Lucena Mesquita Jr.)
Não
entre na minha casa!
Deixe em paz minha riqueza!
Mas se entrar leve tudo
O que está posto sobre a mesa:
Meu coração, minha vida.
Meu sonho e cada noite invertida
Deixe em paz minha riqueza!
Mas se entrar leve tudo
O que está posto sobre a mesa:
Meu coração, minha vida.
Meu sonho e cada noite invertida
Só
deixe aqui minha tristeza,
Que é dela que me vem o ar,
E todo o meu alimento
Deixe em paz essa ferida
Que não tem mais cabimento
Que é dela que me vem o ar,
E todo o meu alimento
Deixe em paz essa ferida
Que não tem mais cabimento
O
meu amor foi embora
Levando junto o meu sorriso,
Agora, todo passo indeciso,
Só o nada já se faz e nele resiste
Cada esboço de alegria
Um parir dilacerado, entranhado
Numa dor que traz à luz só verso triste
Levando junto o meu sorriso,
Agora, todo passo indeciso,
Só o nada já se faz e nele resiste
Cada esboço de alegria
Um parir dilacerado, entranhado
Numa dor que traz à luz só verso triste
Por
isso não entre na minha casa!
Deixe em paz minha tristeza!
Mas se entrar leve tudo
O que está morto sobre a mesa
Deixe em paz minha tristeza!
Mas se entrar leve tudo
O que está morto sobre a mesa
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