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Sonhar é preciso, nem que for sonho de padaria...

Nem uma coisa nem outra, o que há entre elas é o que me encanta

sábado, 3 de maio de 2014

Leve Tudo (Eva Rocha e Manoel Lucena Mesquita Jr.)

Não entre na minha casa! 
Deixe em paz minha riqueza! 
Mas se entrar leve tudo 
O que está posto sobre a mesa: 
Meu coração, minha vida. 
Meu sonho e cada noite invertida

Só deixe aqui minha tristeza,
Que é dela que me vem o ar,
E todo o meu alimento
Deixe em paz essa ferida 
Que não tem mais cabimento
O meu amor foi embora
Levando junto o meu sorriso,
Agora, todo passo indeciso, 
Só o nada já se faz e nele resiste
Cada esboço de alegria
Um parir dilacerado, entranhado
Numa dor que traz à luz só verso triste

Por isso não entre na minha casa! 
Deixe em paz minha tristeza! 
Mas se entrar leve tudo 
O que está morto sobre a mesa

quinta-feira, 1 de maio de 2014

ferida

ferida que os segundos arrancam a casca
visível ou profunda
cicatriz... 
há sempre uma marca do tempo em nós
às vezes dói, 
outras só um triz
noutras
ferida que os segundos arrancam a casca


desvio

não raro, 
a incompetência de cuidar de si, 
conduz ao cuidado exacerbado do outro,
é um desvio, não raro.

verbo

e o verbo fez-se verso
fez-se verve 
desfez-se todo em poesia

plenos?

muitas vezes assim inteiros de nós, plenos
sem mais nem menos
é que sucumbimos de nós mesmos

dor

nem vou te falar de minha dor
ardor...
ardida
adormecida
dor amanhecida
nem vou te falar

broto

Porque meu corpo é grão que brota no chão de minha alma
minha alma colo permanente, 
berço pronto pra semente adormecida despertar
brotemos!!!