Páginas

Sonhar é preciso, nem que for sonho de padaria...

Nem uma coisa nem outra, o que há entre elas é o que me encanta

domingo, 27 de fevereiro de 2011

o que seria?

...seu mirar em minha mira 
o que seria?

outra alma 
ou enfim outra poesia?

Sobre Arthur Bispo do Rosário e todos os demais artistas-loucos do mundo

                                                                    
 Vai ver, 
o grande milagre do artista é ser visto como louco 
e ainda assim transformar-se 
enquanto transforma o mundo 'normal'.



 De louco a gênio, 
Ele transformou o ponto de vista alheio 
e todos foram obrigados a enxergar o que se recusavam a entender... 

Verso ou inverso?

Verso ou inverso?
Frente ou avesso? 
Fim ou começo? Um ou outro? 
O melhor será o liso ou o roto, 
o hoje ou o passado, o som ou o silêncio, 
o seco ou o molhado? 

A vida se faz dos contrários e de suas (re)combinações,
 impossíveis hoje, geniais em outro dia, outro agora, 
por isso que a vida não tem hora marcada nem destino certo,
bastando apenas fazer-se passo a passo...
nos instantes vários em que se personifica(nos)

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

quase canção

Olhos prontos pra partida, pros passos da ida,
incertos da solidão, do caminho ao longe, da escuridão.
Deste ponto adiante, antes dois, agora um rumo só,
antes sonhos, desejos, agora, na garganta um nó
que mareja
os olhos disfarçados de prontos pra partida,
com um rio de lágrima presa, com uma vela acesa na escuridão
Antes, um par, na rua, na sala, no salão,
agora, um em cada lado, mãos no bolso, choro calado
procura e espera, inverno e primavera,
os dois perdidos e libertos
nos traços dessa quase canção,

sábado, 12 de fevereiro de 2011

De prosa em prosa...

Daqui, vou seguir ao vento, 
afinal, vivo ao sabor dos ares mesmo, 
sem rumo, 
me aprumando somente em meus sentidos, 
que são vários...

...e eu que tava aqui, 
tristinha, com a alma quase cabisbaixa, 
já posso, no dia de hoje, 
olhar pra cima e sorrir, 
porque meu espelho (você) 
me desenhou um sorriso na alma. 
e olha que nem te contei 
que a Gratidão costuma tirar as almas dos purgatórios ...


...e eu que tava aqui, tristinha, com a alma quase cabisbaixa, já posso, no dia de hoje, olhar pra cima e sorrir, porque meu espelho (você) me desenhou um sorriso na alma. Obrigada, e olha que a Gratidão costuma tirar as almas dos purgatórios hein...

Que povo é esse?

Tive a sorte de nasceu a mais de mil metros acima do nível do mar
e sem asas saber do sabor das arribeiras e do cheiro da caatinga
desde pequena provava da secura da pele de alguns
e da fartura da alma de muitos que salivavam por natureza...
E por natureza tinham a sorte que comandava a umidade existencial
o norte conflitante deste povo lá de cima
de uns olhos tão sabidos e uma falas tão certeiras,

Lá nunca se sabe de Natal ou aniversários,
só da graça do dia que se tem

Lá nós nunca dormíamos até às dez
e nunca corríamos o risco de perder o trem ou o ônibus ou a esperança

A rota de lá é feita de todo dia e de sol a sol, de seca a seca, de fome
e milagres diários
e de um desejo de chuva tão grande que de tanto rezar
os pinguinhos d'água jogavam-se das nuvens e evaporavam-se no trajeto,
no meio do caminho,
nem viam  a cara do chão, da terra, do solo, da planta e do bicho sedentos

Esse povo meu carrega a poesia na palma dos risos,
nas asas e nos ninhos dos passarinhozinhos
que lhe são alma gêmea, par perfeito, espelho

e assim o engenho da vida vai girando no seu não-saber providencial
que só Deus, as crianças (e os corações dos passarinhos) têm ciência...

domingo, 6 de fevereiro de 2011

(in)transparentementebicolor

Também já perdi minhas tintas por aí, 
ares que me assustam porque eu nunca vi...
 menos que um bicolor clássico, 
meu momento vezes e outra é incolor, 
(in)transparente tácito... 
Ficam assim, leve e breve 
o corpo e o espírito que a tudo sente, 
mesmo sem retina... 
ora branco luz, 
ora negro em flor, 
alma nunca mente...
peito cumpre a sina